Enquanto diversos autores têm uma definição exata do poder, Foucault efetua uma analítica do poder sem especificá-lo. Para o autor, o poder não pode ser restrito ao Estado. Isso é necessário para a própria perpetuação do mesmo. Pois existe uma rede microfísica do poder, além do Estado, que promove a docilização do homem, tornando possível a existência desta instituição.
Na sociedade contemporânea, o indivíduo ideal é manso e produtor. O soberano, ao invés de fazer morrer e deixar viver assume o papel de regulamentador, provendo a vida e permitindo a morte. A transformação gradual da morte em tabu marca a sociedade atual, ao passo que a sexualidade tem tomado o caminho inverso. Pode-se observar no tocante à morte uma abordagem ascética, em que ela é vista como se não nos dissesse respeito, e colocada de lado como se não existisse. A exclusão do moribundo e a profissionalização do cuidado do enfermo exemplificam esse panorama.
No contexto atual observa-se a passagem do modelo de poder vertical para o horizontal. O primeiro caracteriza-se pela relação direta do Estado com a massa populacional em que ele faz uso da “espada” do Leviatã; enquanto o último é definido pela presença de diversos tipos de instituição – como Escola, Família, Trabalho, Religião, Moral – interligados entre si e com o Estado.
É diante dessa configuração que se estabelece a Sociedade de Controle em que há a vigilância permanente e uma nova forma de poder – o Biopoder. Este domina corpos e mentes, sendo mais sofisticado e sutil. O “fazer viver” é personificado sob o signo do Bem Estar Social. Há também o advento das Biopolíticas, ou seja, os setores do lazer, transporte, cultura. O poder também pode otimizar o “welfare state”, fortalecendo o Estado.
Em suma, em uma sociedade de crescente sensação de liberdade e de uma prisão mais sutil de todos os tempos, a figura do Panóptico representa a vigilância em tempo integral e um forte fator de coerção e coação.
”O homem nasceu livre mas em todo lugar encontra-se a ferros” - Rousseau