Uma mulher de El Salvador trabalha para produzir uma jaqueta. Tal produto é vendido por $178 enquanto a funcionária da linha de produção recebe somente 74 centavos pelo trabalho.
O sobretrabalho exemplificado no fato acima evidencia que, apesar da distância temporal entre os ecritos de Marx e os nossos tempos, seus conceitos ainda se aplicam atualmente. O elemento sobretrabalho origina a mais-valia, ou seja, a parte de trabalho não paga àquele que o produz, cujo resultado é o lucro. Enquanto só 0,4% do produzido é entregue ao trabalhador, os outros 99,6% permanecem com o detentor dos meios de produção. Há uma alienação do trabalho, em que o empregado não possui consciência do valor do mesmo.
Ao passo que a divisão espiritual do trabalho é substituída pela divisão do trabalho, o funcionário se afasta do produto final. Como no exemplo supracitado, esses indivíduos não encontram equivalência entre o que produzem e o que são capazes de adquirir com os seus ganhos.
Enquanto o trabalhador vende a sua própria força, o resultado desse processo é a crescente miséria generalizada, característica típica do capitalismo. Para Marx, esse ciclo vicioso apenas se encerraria com a tomada de consciência da situaçao do trabalhador, o que acarretaria uma revolução proletária, pondo fim à exploração de uma classe por outra. Essa produção de consciência se efetuaria por meio da mídia. No entanto, no contexto atual - o da sociedade de lazer - essa previsão parece estar cada vez mais distante da realidade. Enquanto o ensino elementar e o superior perpetuam o processo de docilização do trabalhador, a indústria cultural fomenta o desejo por um modo de vida regido pelo trabalho. O resultado é a falta de reflexão e a aliienação, em que a mídia é fator determinante. Nesse contexto, até mesmo a cultura se transforma em mercadoria, no finalismo dos nossos "Tempos Modernos".
Gosto do modo como vocês iniciaram o texto, um exemplo real e tão comum em nossa sociedade. Concordo que com a divisão do trabalho, e o consequente aumento da especialização do trabalho, ocorre que as pessoas não conseguem mais produzir o produto sozinho, apenas conseguem fazer a sua parte, e por isso não reconhecem o valor dela no todo, e isso contribui para a crescente alienação do trabalho vivida por ela.
ResponderExcluirConsidero também que como observado por Marx, a mais-valia pode ser dividida entre relativa e absoluta. A relativa, que consiste na diminuição da carga de trabalho necessária para o trabalhador pagar seu salario, ocorre com o investimento nos meios de produção, e é aquela a qual o homem não tem consciência, é alienado. Já a absoluta, que consiste no aumento do sobretrabalho, gera consciência do trabalhador, que percebe que esta se afastando da propriedade do trabalho, o que poderia levar há uma revolução proletária.
Contudo como vocês notaram atualmente essa situação vem se distanciando cada vez mais da possibilidade de se concretizar. Como os próprios estudiosos da Escola de Frankfurt analisaram, no mundo atual as pessoas não tem consciência de que estão condenadas a serem exploradas no trabalho, elas acreditam em uma melhora. Além disso, como vivemos no mundo do trabalho, o trabalho é algo que dignifica.
Com a indústria cultural, há a perpetuação do fetiche, agora não somente das mercadorias, como também de um modo de vida. Em outras palavras, a indústria cultural cria um modo de existir que está de acordo com o mundo do trabalho, ou mundo capitalista. Esse modo de vida é manso e disciplinado, justamente para as pessoas permanecerem inertes e até mesmo satisfeitas com a sua condição. Como vocês mesmo disseram, ocupando as horas vagas, com o lazer promovido por essa indústria, as pessoas não passam por momentos de reflexão que dariam lugar a debates de experiência, conversas, que poderiam acarretar em uma conscientização de classes
Larissa Mylla Misch
RA00093133
Da mesma forma que a aluna Larissa Misch, parabenizo-os por terem escolhido iniciar o texto com um exemplo. Vamos ao texto.
ResponderExcluirÉ interessante o começo ainda, pois é a partir dele que fundamentam todo o corpo restante.
Vocês iniciam o segundo parágrafo explicando melhor o fato supracitado. Explicam portanto o que é a ideia de "mais-valia" desenvolvida por Marx, que é a parte referente ao lucro, ou seja, quando uma pessoa paga 4 reais para que uma segunda faça um doce chamado "bolinha de Mozart" e o vende por 6 reais. Assim, há uma diferença de dois reais entre o valor de custo - valor pago por alguém para que outro a produza - e o valor de venda. Essa diferença é a mais-valia, o lucro. É bom salientar que "valor de custo" e "valor de venda" não são conceitos desenvolvidos por Marx, mas usados somente para ilustrar o conceito de "Mais-Valia". A partir do momento em que os trabalhadores que produzem o doce aceitam isso sem contestação, há uma alienação. Eis a chamada alienação do trabalho fundamentada por Marx que é nada mais do que essa falta de decepção. Hoje isso pode ser verificado com um adendo. O homem contemporâneo trabalha muito, é explorado, não reclama disso - logo é alienado -, ganha pouco e gasta a maioria com coisas desnecessárias, tendo nisso a ideia de consumismo exarcebado. Citei então dois ou três exemplos diferentes da dominação do homem pelo homem.
Outro ponto que gostaria de levantar é a crítica de vocês no final do texto sobre a "docilização do trabalhador" e a relação com a mídia. Sobre a domesticalização do homem pelo homem só posso concordar com vocês porque é realmente isso que ocorre. E não acontece somente nos nossos tempos, mas é algo antigo, tendo em vista - como vocês mesmos levantarão - que Marx já observava isso e esperava uma conscientização da classe operária. Pois bem, eu também espero. Não mais de uma classe operária somente, posto que não seria possível mudar grandemente os aspectos deturpados de hoje, mas da grande massa. A grande problemática que quero discutir rapidamente é que me vem um ponto escrito por Tocqueville - se não me engano na página 315 ou perto disso - sobre a mídia. A mídia, por meio dos jornais, é o porto seguro da liberdade dos hoomens. De acordo com este último autor, deveríamos viver em uma igualdade plena sem grandes diferenças, já que temos uma democracia quase que mundial. Disso, se voltarmos para a realidade tanto de Marx como a nossa, veremos que a mídia muito fora de seu papel se encontra e faz isso duplamente. Os donos de grandes meios de comunicação são um forte exemplo da falta de igualdade presente e não fornece apoio a classe dos trabalhadores, mas sim aos donos dos meios de produção, ou seja, aos seus iguais.
Por fim, anexo aqui um comentário. Marx pensava que veria a conscientização dos homens alienados. Não viu. Hoje, penso, essa realidade se encontra muito mais longe de existir tanto pela mídia que atinge o grande público por não fazer seu papel, como afirma Tocqueville, e pelo capitalismo que adequa ao passar dos anos seu método de agir. A alienação aqui ocorre mascarando os problemas ao dar aos trabalhadores aumentos mínimos, férias, décimo-terceiros e outros benefícios que controlam o homem frente aos escândalos do sistema.
Parabenizo vocês pelo texto, pois me fez refletir bastante sobre algumas ideias e retomar conceitos de um dos maiores teóricos da sociologia!
Gustavo Rufo Peres RA00093124
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ResponderExcluirMuito bom o exemplo contemporâneo para retomar as ideias de Marx. A finalização do texto me trouxe a mente o filme do Charles Chaplin "Tempos Modernos" que mostra justamente a 'docilização do homem pelo homem'. Pensando nas mudanças que ocorreram desde a produção deste filme até a atualidade, reflito que os avanços do conhecimento não foram suficientes para nossa desalienação. Penso em nós mesmos estudantes de RI, que num futuro muito próximo estaremos no mercado de trabalho: exerceremos todos essa docilidade depois de quatro anos de esclarecimento escancarado da nossa condição? Será que podemos nos desvencilhar do condicionamento a essa exploração do nosso trabalho? Acho difícil o estudo desses anos me libertar dessa exploração. Queria levantar com o texto essa discussão, pois isso me incomoda sempre que tratamos do assunto nas aulas e debates!
ResponderExcluirLARISSA FROZEL BARROS - RA00093102