Por volta do dia 25 de janeiro de 2011, houve uma tendência geral dos ditadores do Oriente Médio agradarem seus "súditos" de uma maneira peculiar. Na Líbia,por exemplo, o líder do regime, Muamar Gadaffi, fez algumas modificações em sua gestão: elevou o salário mínimo em 150% e adicionou a isso pagamentos equivalentes a U$ 400 para compensar a carestia dos alimentos.
Essa postura denota o que Maquiavel chama de "virtú" buscando prover a população de bens básicos, visando apaziguar a situação de protestos. No entanto, tentando obter o apreço do povo, Gadaffi ignorou a regra de " O príncipe" que afirma que "é melhor ser temido do que amado".
Ao notar que as medias adotadas não surtiram efeito ( dando no que deu) e as revoltas continuaram, o governante fez uso do seu monopólio da força: "...as forças leais ao governo lançaram ofensivas para reaver ou controlar cidades no oeste do país, já que o leste se encontra firmemente sob o controle da oposição". Aqui se evidência a postura do Estado como "Leviatã", punindo aqueles que não seguem os seus desígnios.
Esse método foi um tanto contraditório. Um governante deve escolher entre ser amado e temido- nunca ambos- e preferencialmente o último.
A manutenção do poder é dada através da força, quando os outros meios falham. A ética, portanto, se aplica aos súditos, mas é transgredida pelo governante. Conforme Maquiavel, esse preceito teoricamente manteria a integridade do estado e de seu governante.
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ResponderExcluirPenso que a associação feita, entre um acontecimento tão recente com os princípios de Maquiavel escritos há cinco séculos anteriores a nós, foi bem interessante. Sobre essa relação, gostaria de acrescentar que a repressão violenta feita por Kadafi também se encaixa na famosa frase de Maquiavel, que diz “os fins justificam os meios”. Na visão de um ditador; a força bruta, a censura e a repressão são as melhores formas de manter a ordem, sendo esta a principal função do Estado. Agindo a partir de tais preceitos, Kadafi estaria cumprindo o seu papel como soberano e aproveitando o uso legítimo da força dado ao Estado como uma forma de garantir seu poder, sem se importar com o impacto de suas ações na vida dos governados.
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ResponderExcluirNão penso que o aumento dos salários que foi dado à população de países do Oriente Médio fora algo feito com uma "virtú", pois apesar de ter sido uma tentativa de controle de uma Fortuna desfavorável, essas ações não foram efetivas no controle da “Fortuna” (como estamos acompanhando hoje), o que não configura uma "virtú" do governante, mas sim um erro.
ResponderExcluirSe partirmos do ponto de vista hobbesiano de o Soberano ser um Grande Leviatã, Gadaffi também não consegue seguir o que é dito, pois não prevê, nem controla a situação antes de ela virar uma grande crise, por isso, tem que matar a população para tentar manter a sua soberania.
Voltando ao Maquiavel, O ditador da Líbia não foi capaz de com sua “Virtú” controlar a “fortuna” que deu as caras no início de 2011, ou seja, não conseguiu nem ser amado nem ser temido pela população, mas sim odiado e isto gerou as revoltas no País. Porém, ele agiu certo – segundo Maquiavel – na tentativa por qualquer meio de manter o poder em suas mãos, nesse caso ele teve de matar a sua população para continuar no poder da Líbia.
Rafael Mignoni Teixeira
RA 00100651
Conforme mencionado no texto publicado pelo blog, a manutenção do poder através da força, teoricamente,deveria manter a integridade do Estado e de seu governante, segundo Maquiavel, por isso diante das ações realizadas por Muamar Gadaffi, acredito que elas, em parte, se encaixem nesse pensamento.
ResponderExcluirEm sua obra, Maquiavel, demonstra que a ação virtuosa de um Príncipe é aquela que consegue contornar uma situação conflituosa e no fim manter o Estado,e parece que é sob esse conceito que Gadaffi vem realizando suas ações. Diante de mais revoltas populares e das intervenções militares internacionais no território líbio (a favor dos revoltosos), Muamar Gadaffi vem tentando de todas as maneiras resistir a pressão e se manter no poder. Para combater os revoltosos conta com tropas leais ao seu governo, apesar das rebeliões não cessarem, e acima dessa condição revoltosa ele não cede à pressão internacional pela sua renúncia.
Portanto, Muamar Gadaffi vai ao encontro das idéias expressas por Maquiavel em sua obra: o Príncipe tem que fazer da "fortuna" ações virtuosas para se manter no poder, essa moral governante se justifica pelo seus fins.
Diante da exposição propósta pelo grupo, de que conceitos previamente discutidos por Maquiavel se encaixem, ainda, em sociedades e formas de gorverno do presente, como o que vem acontecendo na Líbia, uma interessante relação.
ResponderExcluirRelações de poder, descritas do século 16, ainda são usadas por governantes atuais. Gadaffi, como ditador, usou de sua força e da repressão, não se importando com o impacto de tais ações, preferindo ser temido do que amado, para se manter no poder, e mantendo, o que ele considera, de ordem e bem comum, através do Estado, pune aqueles que fogem a sua regra.
Maquiavel, bem defende que é melhor ser temido do que amado, e que os meios escolhidos por um governante, são justificados pelos fins alcaçados, mantendo a integridade do Estado.
Como vocês bem disseram: "A ética, portanto, se aplica aos súditos, mas é transgredida pelo governante."
RA00096417
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ResponderExcluirA situação atual na Líbia se encaixa muito na obra de Maquiavel.
ResponderExcluirMaquiavel usa a seguinte frase em seu livro: 'Os fins justificam os meios'. Essa frase diz que para a manutenção do Estado, uma amoralidade pode ser justificada, ou seja, o uso da força para manter a integridade do Estado e do seu governante pode ser feita.
O Estado também tem a necessidade de dominar a Fortuna (circunstâncias cíclicas que aparecem na vida do Estado e o homem precisa ter a virtude para resolver) e nenhuma fortuna é tão complicada que a 'virtu' não possa dominá-la! E Muamar Kadaffi mostra isso ao resistir a opressão dos revoltosos, das sanções importas pela ONU e por outros países e continua no poder.
Em uma ultima analise, Maquiavel diz também que ser carismático é menos eficaz do que ser temido e mais vale ser temido do que ser amado a fim de manter o fortalecimento do Estado e Kadaffi mostra que até hoje, séculos depois da obra ser escrita, ela ainda pode ser usada com um certo ‘exito’.
Leticia Cordeiro de Souza Paes
RA00101639